CS :Como e quando surgiu a Casa do Surfista?
TC :Venho de família grande e tradicionalmente praticamos esse tipo de ajuda em várias esferas da sociedade. Tenho parentes que semanalmente vão às instituições levar roupas e alimentos, existe uma festa junina que acontece há mais de 25 anos, sempre na época de São João, onde todos, a maioria familiares, participam de brincadeiras e jogos a preços simbólicos e tudo aquilo que se arrecada é transformado em agasalhos e cobertores para doação à um orfanato. A Casa do Surfista nasceu desse mesmo sentimento,,uma parte do que conquisto através do meu trabalho reverto para fomentar o esporte e criar possibilidades de inclusão para os atletas que têm interesse em se dedicar ao esporte. Isso começou no início de 1998, abrigando em minha própria casa, e posteriormente construindo instalações na fábrica, que mesmo modesta, já revelou muitos talentos que hoje representam o Brasil mundo afora.
CS : Porque tanto investimento nas categorias amadoras ?
TC : Acredito que são eles que mais precisam de incentivo e apoio, isso nos garantirá sempre uma renovação.A partir do momento em que incentivamos novos seguidores do esporte, por mais que não se faça de todos eles competidores em potencial, de certo estaremos criando gerações de campeões na vida.
CS :Para apoiar os atletas você conta com algum tipo de ajuda ou patrocínio, ou arca com todas as despesas sozinho?
TC :Não conto com nenhum tipo de apoio direto à Casa, esta é mantida por mim, por isso inclusive os critérios para ingresso tendem a ficar cada vez mais rigorosos, para podermos manter quem efetivamente está focado no futuro e nas competições. O nosso projeto ideal, conta com nutricionista, preparador físico, médico e professores, além de uma governanta responsável pelas rotinas da casa, que será independente da fábrica.
CS : Sua equipe é formada somente por nordestinos ?
TC :Não, muito pelo , o foco do meu trabalho é a garotada. Independente da região ,o que avaliamos é o índice técnico do atleta, assim sendo teremos condições de atuar em todos os estados do Brasil de maneira eficiente e criando possibilidades diversas. A TBC desde 2000 coloca todos os anos pelo menos um atleta na seleção Brasileira que vai para Panamericano e mundiais ISA GAMES. Como resultado disso já conquistamos quatro títulos mundiais amadores, com o Alejo Muniz (SC) em 2004 no "KING OF THE GROM´S" até 16 anos, quando ele era da equipe, em 2005 Wiggolly Dantas (SP) também até 16 na França, ainda em 2005 no ISA GAMES JR até 18 com o também Paulista Jefferson Silva e fechando com chave de ouro na Austrália com Pablo Paulino (CE) até 20 no Pro - jr. Ou seja, dos quatro título mundiais, só um foi conquistado com atleta nordestino, mais uma vez demonstrando que o meu trabalho está bem difundido em todos os estados do Brasil.
CS :Quem da sua equipe, você diria que vai dar o que falar este ano ?
TC :Além dos que já figuram em conquistas ano após ano, eu diria que Filipe Braz (RJ) é o nome que deve começar a freqüentar os pódios de peso mais vezes esse ano. Aos 14 anos ele teve uma ascensão muito rápida no final de 2006 e é promessa forte para esse ano. Além dele incluiria também Felipe Toledo, que apesar de muito jovem ,12 anos, já apresenta surf de gente grande com manobras atuais e inovadoras, já traz de casa pois é filho do bi-campeão Brasileiro Ricardo Toledo. E mesmo sem dar nomes, tem uma meia dúzia de garotos prontos para fazer bonito esse ano
CS :O que na sua opinião falta para termos um campeão mundial WCT.
TC :a princípio me parece que é questão de tempo. Temos um grande número de ótimos atletas nessa e em próximas gerações. Existem ainda alguns erros que atrapalham uma maior exposição na mídia dos atletas Brasileiros, uma vez que não vejo a nossa mídia preocupada em dar uma atenção maior para as novas e novíssimas gerações. Com a chegada da Confederação, que ainda é jovem ,isso tem diminuído muito rápido. Mas existe não só por parte do público, mas infelizmente por parte da nossa imprensa e alguns atletas ,a impressão de que aquilo que vem de fora é melhor que o nosso. Eu pessoalmente discordo disso, pois sei que somos os melhores shapers de pranchas pequenas no mundo, com qualidade e quantidade superior à maioria dos países, e se nos falta ainda um material específico voltado para a fabricação de prancha, além de alguma experiência e regulamentações, nos sobra criatividade e talento. Quando estivermos todos unidos em uma só voz, seremos ouvidos por todos, e vamos fazer barulho de montão pelo mundo a fora.
CS :Como foi 2006, e quais as suas expectativas para 2007
TC :2006 foi um ano difícil. Eleição e muitos escândalos na política. Teve a copa do mundo de futebol, e isso complicou um pouco o meio de campo no comércio em geral. Saí da sociedade em uma loja que havia feito, isso também ajudou a dificultar as vendas. Mas agora o meu público sabe que estou de volta na fábrica e as coisas começam a se acertar. Talvez tenha havido uma bolha de crescimento no mercado do surf nos último anos, que causou essa instabilidade e grandes transformações, que a meu ver serão benéficas para o mercado como um todo. Em pouco tempo teremos uma entidade representativa, todas as categorias profissionais e classe trabalhadora tem, não deve ser diferente com o surf, pois se não, estaremos sempre andando sem o apoio e o incentivo que é direito de todo segmento no país.
Penso que de agora em diante haverá mudanças no material, e em algumas etapas da fabricação. A máquina nos ajudará muito, também como ferramenta na hora de trabalhar esses materiais. Eu já desenvolvo modelos para serem feito pela máquina há quase dois anos, e tenho feito testes com quase todos, e com atletas diferentes. Muitos aprovados, mesmo sem saberem que se trata de modelo da máquina. Talvez interferisse na maneira do atleta analisar as mudanças feitas, o fato dele saber que é prancha de máquina, agora faremos ajustes específicos com cada um, a partir daquilo que tenho como modelo inicial. Acredito que estarei usando a máquina em 50% da minha produção a partir do segundo semestre.
CS :O surf está ganhando cada vez mais espaço no Brasil graças à pessoas como você. Qual a sua sensação ao perceber que jovens que não tinham oportunidade de mostrar o seu talento, como tantos que você abrigou, hoje são revelações do cenário do esporte, em decorrência do seu apoio?
TC :É realmente gratificante observar resultados positivos em tudo que se faz. Não me sinto fazendo nada mais que a minha obrigação, no sentido de investir no mercado de onde tiro o sustento da minha família, creio que dessa forma estarei garantindo muitos e muitos verões pela frente, além da sensação do dever cumprido, de certo estamos formando indivíduos sadios, capazes de sonhar com o futuro, além de criarmos possibilidades para aqueles que têm poucas oportunidades. Isso realmente faz diferença.
CS :Deixe uma mensagem para a galera
TC :É isso aí, temos que ter paciência para esperar o momento, tolerância para compreender a tudo a todos, mesmo quando discordamos de algo, e empenho para nos prepararmos e conquistarmos tudo aquilo que nos é de direito, só assim superaremos nossas próprias dificuldades. Boas ondas....... |